Dinheiro é Energia Vital

Por que você deveria descobrir o real valor da sua hora de trabalho

Todos nós tomamos decisões financeiras diariamente. Mas será que realmente sabemos o que o “dinheiro” significa para nós?

Eu já vi muitas formas “bonitinhas” de explicar o que o dinheiro é: meio de troca, representação de valor, poder, abstração, linguagem, contrato social, matrix, etc. Mas nada foi tão útil quanto o conceito de dinheiro como “energia vital” abordado no livro “Dinheiro e Vida: Mude sua relação com o dinheiro e obtenha a independência financeira” da autora Vicki Robin.

Dinheiro é algo pelo qual trocamos nossa “energia vital”. Em outras palavras, vendemos nosso tempo por dinheiro.

Vamos fazer um experimento? Feche os olhos e se pergunte:

“eu trocaria meu patrimônio e meus 18 aninhos de vida pela fortuna e os 90 anos do Warren Buffett?”

Eu certamente não trocaria! Pois é…

No fim das contas, o ativo mais precioso que temos é o nosso tempo.

Nossas horas de vida são a “moeda de troca” que temos para desfrutar de todas as coisas que julgamos relevantes nesse curto “espasmo existencial” (“O preço do amanhã” abordou essa questão com maestria). Tempo de qualidade com pessoas que amamos, projetos, sonhos, hobbies, dinheiro, coisas… Enfim, tudo o que você decide fazer com sua energia vital precisa caber no seu orçamento de aproximadamente 665.760 horas de vida*.

Por isso o dinheiro tem valor relativo. Ele é apenas uma das coisas que podemos “comprar” com nosso tempo. É na relação “dinheiro/tempo” que o dinheiro deixa de ser uma “abstração nominal” e passa a ter valor vital tangível.

A partir do momento que eu “saquei” isso, eu mudei a pergunta de “quanto dinheiro o novo iPhone me custaria?” para “quantas horas de vida o novo iPhone me custaria?”. Portanto, os R$10.808,11 do iPhone 12 Pro Max 256Gb (consulta em 03/02/2021) tem um “custo de energia vital diferente” para cada pessoa, dependendo da sua relação dinheiro/tempo.

Não é difícil imaginar como essa mudança de paradigma pode ser revolucionária, né?

Internalizar o conceito de “dinheiro = energia vital” me permitiu maximizar e otimizar o meu recurso mais precioso: o meu tempo. Descobrir por quanto eu vendia cada hora de minha vida foi tipo tomar a “pílula vermelha” do filme Matrix. Passei a enxergar minhas escolhas financeiras e suas consequências com outros olhos, tudo ficou muito mais claro.

Sabe quando você viaja para outro país e o preço das coisas não faz muito sentido para você? Só depois que você converte aquela “moeda local” para a “sua moeda” (real/R$) que você passa a entender o que o preço das coisas realmente significa para você.

Pois é; sua moeda não é o Real (R$), sua moeda é “seu tempo”. E tempo, querido(a) ifólogo(a) mortal, é finito.

Mas e aí, quanto vale o seu tempo (energia vital)?

“Ah IFP, essa eu faço de cabeça… eu ganho 4 conto por mês, mil por semana, 200 por dia e 25 por hora. Ou seja, eu vendo uma hora da minha vida por R$ 25,00.”

Será mesmo?

Eu disponibilizei uma planilha para auxiliá-lo a encontrar o valor real da sua hora de trabalho. Você pode inserir os seus valores nas células brancas para chegar à sua remuneração real. Mas cuidado para não cair da cadeira, viu!?

Eu usei meu último contracheque no Brasil para compararmos a diferença entre o valor bruto (dinheiro que era pago pelo empregador) e a remuneração real da minha hora de trabalho (o que sobrava para mim). Para fins exemplificativos, usei os gastos associados ao meu trabalho antes de começar a otimizar nossa vida financeira.

O racional por trás desse cálculo é que todo o tempo gasto em qualquer atividade associada ao seu trabalho deve ser adicionado ao número de horas por mês. Da mesma forma, qualquer despesa financeira diretamente associada ao seu trabalho deve ser subtraída do seu salário.

Custos que muitas vezes passam despercebidos:

  • Imposto de renda e contribuição previdenciária: você teria esses “gastos” caso não trabalhasse?
  • Transporte: custo de deslocamento, combustível, óleo, manutenção, seguro, depreciação, estacionamento, transporte público, taxi, Uber, etc.
  • Vestimenta: as roupas e calçados que usa no dia de folga são as mesmas que usa nos dias de trabalho? Uniformes, ternos, calçados, maquiagem, etc.
  • Refeições: acaba comendo fora por causa do trabalho? Café, almoço, “lanchinhos convenientes”, etc.
  • Relaxamento pós trabalho: você chega em casa cheio de vida pra brincar de cavalinho com sua filha, ou precisa de um tempo pra relaxar porque o dia foi “puxado”? Tempo “vegetando” no sofá, TV, cervejinha, cigarrinho, etc.
  • Entretenimento como “escape”: suas opções de entretenimento são uma forma de recompensa por ter sobrevivido a mais uma semana difícil/entediante? A “motona” e o barco são recompensas por você aturar um trabalho insuportável? Filmes, bares, TV a cabo, subscrições, videogames, “brinquedos”, etc.
  • Férias como “escape”: você está cansado demais para planejar aquele “mochilão raiz” dos seus sonhos e só consegue pensar em se “confinar” em um “all inclusive resort” fazendo absolutamente nada além de comer e dormir?
  • Ajuda: você precisa de “ajuda” que não precisaria se não trabalhasse? Diarista, babá, jardineiro, creche, lava a jato, etc.
  • Doenças relacionadas ao trabalho: sofre de estresse, LER, dores, depressão por causa do trabalho? Gasta tempo/dinheiro com medicamentos, consultas, exames, massagens, terapia?
  • Outros: Precisa investir tempo/dinheiro em livros, ferramentas, conferências e cursos? Leva trabalho para casa? Consegue pensar em mais alguma coisa?

Está em dúvida se deveria computar alguma coisa no ajuste? Faça a pergunta: “eu poderia evitar ou minimizar esse meu gasto de tempo e/ou dinheiro caso não trabalhasse onde trabalho?”

No meu exemplo acima podemos ver que um salário de R$ 43,42 por hora, após os ajustes, representava apenas R$ 20,54**. Ou seja, o custo do iPhone citado acima não é R$10.808,11. O real custo para mim seriam 526,19 horas de minha vida (ou 65 dias vendendo 8 horas da minha vida).

Moral da história

I. Esse exercício coloca o custo das coisas e da sua atividade laboral sob uma nova perspectiva. Ou seja, a perspectiva da sua remuneração real por hora (o objetivo principal desse artigo).

II. Essa nova ótica lhe permite avaliar suas opções de trabalho de forma mais realista e objetiva: um trabalho remoto ou mais próximo de casa pode remunerá-lo mais do que outro com 45 minutos de deslocamento, por exemplo; mesmo que o salário bruto seja menor.

III. Você pode se dar conta de gastos desnecessários relacionados ao trabalho e se organizar de maneira mais eficiente, por exemplo: você tem a flexibilidade de morar mais perto do trabalho ou de trabalhar mais perto de casa? Pode mudar o seu meio de transporte? Pode levar comida de casa?

IV. Você passa a saber exatamente quantas “horas da sua vida” os próximos óculos, relógio, celular, carro, moto, empréstimo consignado[…] vão lhe custar. Isso o ajuda a tomar decisões financeiras de forma menos impulsiva e mais intencional.

V. Toda decisão financeira tem efeito exponencial no longo prazo. Portanto, pequenos ajustes hoje terão um grande impacto na sua caminha rumo à independência financeira.

Enfim, quais mudanças você pode implementar em sua vida agora que sabe que dinheiro é energia vital?


* Expectativa de vida brasileira de 76 anos segundo IBGE.

** Eu simplifiquei a conta para encontrar um valor aproximado. Ou seja, desconsiderei férias, 13o salário, restituição do imposto de renda e o fato de que geralmente trabalhamos mais de 160 horas/mês. Pois, no meu caso, as horas extras trabalhadas tendiam a “neutralizar” os rendimentos extras. Caso você esteja entediado e queira encontrar o valor exato, deverá incluir esses itens.


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6 comentários em “Dinheiro é Energia Vital”

    1. Eu gosto muito desse livro e da Vicki Robin!
      A ideia de comprar tempo vital o torna bem diferente da maioria do livros sobre finanças (que geralmente focam em como “ficar rico”).
      Valeu pela visita TR!

  1. Oi IFPop,

    Ótimo post, concordo com ele e já tenho um indicador em minha planilha com o valor da minha hora. Mantenho ele ali presente para sempre me alertar do que preciso fazer.

    Li seu post e lembrei do filme “In Time” no Brasil chama-se O preço do amanhã

    Onde as pessoas são geneticamente modificadas para parar de envelhecer, começa uma certa idade e quando começa uma contagem regressiva de 1 ano no antebraço. Quando chega a zero, a pessoa “expira” e morre instantaneamente.

    Apesar do filme se perder em alguns momentos, tem uma mensagem interessante.

    Abraço,

    1. Fala VAR!
      Esse filme traz uma alegoria fantástica! No filme, tempo era literalmente a única moeda de troca que eles tinham para fazer tudo.
      Só pela mensagem já vale a pena assisti-lo, mesmo não sendo muito aclamado pela crítica… Pois, se pararmos para pensar, essa é a realidade de todos nós.
      Um abraço!

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