Como deixar de trabalhar pelo dinheiro e fazer o dinheiro trabalhar para você

à laRobert Kiyosaki

Acabei de reler o clássico “Pai Rico, pai Pobre” do polêmico Robert Kiyosaki. Embora eu discorde de algumas de suas afirmações, a sua forma simples de lidar com temas complexos como finanças e contabilidade pode ser muito útil para nós, IFólogos plebeus.

Então, apresento-lhes “Pai Rico, pai Pobre” sob a lente IFP:

Blz, você é um empregado ou empreendedor comum que trabalhou pelo dinheiro o mês inteiro. Agora é hora de ser mais esperto que a maioria das pessoas e colocar o seu dinheiro para trabalhar para você, ok!?

Se você pretende atingir a independência financeira um dia, o que você faz depois que tem o dinheiro em mãos é muito mais importante que o seu salário!

De fato, uma vez que você trabalhou pelo dinheiro (ou seja, vendeu o seu limitado tempo por dinheiro), há apenas duas coisas que você pode fazer com ele:

  1. Colocar seu dinheiro para trabalhar para você;
  2. Colocar seu dinheiro para trabalhar contra você.

De nada adianta você trabalhar duro por um salário alto se o seu dinheiro está trabalhando ainda mais duro contra você. Por isso, saber como “gastar dinheiro” é ainda mais importante do que saber como “ganhar dinheiro”.

"Como assim o dinheiro pode trabalhar para mim ou contra mim?"

Diferente da “contabilidade tradicional”, Robert Kiyosaki traz um conceito bem prático de “ativo” e “passivo”. Para ele:

  • Ativo é tudo aquilo que coloca dinheiro no seu bolso (seu dinheiro trabalhando para você).
  • Passivo é tudo aquilo que tira dinheiro do seu bolso (seu dinheiro trabalhando contra você).

Por isso o “Pai Rico” do livro diz que a única regra para quem quer enriquecer é: “conhecer a diferença entre um ativo e um passivo e comprar ativos”.

"Mas por que saber diferenciar um ativo de um passivo é tão importante?"

Porque ativos e passivos têm efeito direto no seu fluxo de caixa. E, segundo o autor, as pessoas só estão constantemente com dificuldades financeiras porque não entendem o poder do fluxo de caixa do diagrama abaixo.

Os dois retângulos na parte superior do diagrama (Renda e Despesa) representam o que o autor chama de “Demonstração de renda” ou “demonstração de Lucros e Perdas”; em outras palavras, a demonstração do dinheiro que entra e sai. As duas colunas da parte inferior do diagrama (Ativos e Passivos) são chamadas de “Balanço”. Já a relação entre eles (Setas) representa a movimentação financeira em um determinado período de tempo (Fluxo de Caixa).

O diagrama de fluxo de caixa acima nos mostra que ativos aumentam sua renda enquanto passivos aumentam suas despesas. Mas não apenas isso, ativos aumentam sua capacidade de adquirir mais ativos enquanto passivos comprometem sua capacidade de adquirir mais ativos (e essa é a grande sacada).

Frequentemente vejo pessoas reclamando que precisam de um aumento (e com razão). Entretanto, elas tendem a focar apenas em seus salários (renda ativa) e se esquecem que podem “comprar” um aumento todo mês focando na aquisição de ativos de qualidade (renda passiva). Se você comprar cotas de algum Fundo de Investimento Imobiliário (FII), por exemplo, passará a receber renda mensal sem precisar fazer mais nada por isso.

Portanto, se você busca a independência financeira, deve:

  1. Aumentar sua renda passiva (ampliando a coluna de ativos);
  2. Reduzir suas despesas (controlando a coluna de passivos); e
  3. Usar a diferença entre renda e despesa para comprar mais ativos.

Cada real no seu bolso tem o potencial de se tornar um “bom empregado” trabalhando para você dia e noite (aumentando sua renda) ou um “mau empregado” trabalhando contra você (aumentando suas despesas).

Quando você decide comprar um carro de luxo, por exemplo, você está aplicando o seu suado dinheiro em algo que, além de não gerar renda, vai aumentar suas despesas (financiamento, combustível, manutenção, seguro, garagem, “flanelinha”, limpeza, IPVA, DPVAT, licenciamento, depreciação). Carro é um exemplo que, além da natural e brutal depreciação, implica em um impacto recorrente em suas despesas. Kiyosaki não diz “não compre carros”, apenas “pare de chamar de ativo coisas que somente aumentam suas despesas” (mesmo que para a contabilidade tradicional um carro seja considerado um “ativo”).

Passivos trabalham contra você!

Por isso os ricos tendem a comprar artigos de luxo por último (com renda proveniente de sua coluna de ativos) enquanto a classe média compra artigos de luxo antes (com seu suado salário) e geralmente contraindo dívidas (comprometendo a renda proveniente de seu contracheque e sua capacidade de adquirir ativos). Ou seja, se você trabalha duro o mês inteiro e compra passivos (porque você “merece”), estará perpetuando a necessidade de trabalhar cada vez mais duro. Esse fenômeno foi explorado com maestria no livro “O milionário mora ao lado” de Thomas J. Stanley e William D. Danko.

Mas se, depois de ler esse post, você decide usar o mesmo valor do “carro de luxo” para comprar ativos, você estará tomando uma decisão financeira que, além de não gerar despesas, vai aumentar sua renda de forma permanente. Uma simples decisão como essa já pode ser a diferença entre atingir a independência financeira ou ficar eternamente preso na “corrida dos ratos”.

O objetivo aqui não é dizer “não compre passivos”! Mas apenas demonstrar o efeito exponencial de ativos e passivos no seu fluxo de caixa e patrimônio. Afinal, cabe apenas a você avaliar os prós e os contras de cada ativo e passivo.

Para Kiyosaki, sua profissão é o que produz renda ativa (é onde você trabalha pelo dinheiro). Já o seu negócio é o que produz renda passiva (onde o dinheiro trabalha para você).

Enquanto os ricos focam em seus negócios, as pessoas pobres e de classe média tendem a dedicar-se apenas às suas profissões. Ricos priorizam a construção de uma sólida coluna de ativos enquanto o resto da população tem como única fonte de renda o seu contracheque.

Não há problema algum em se dedicar à sua profissão e buscar melhorar o seu salário. Mas lembre-se: um aumento salarial só vai acentuar o padrão habitual de fluxo de caixa ao qual você está condicionado. Se o seu padrão for “torrar” tudo o que ganha, cada aumento salarial apenas vai se converter em mais passivos e você vai continuar tão “quebrado” quanto antes. Mas se o seu padrão for gastar menos do que ganha e usar a diferença para ampliar sua coluna de ativos, cada aumento salarial vai turbinar sua jornada rumo à independência financeira!

Alguns exemplos de ativos são:

  1. Negócios que não exijam sua presença (você é dono, mas eles são administrados por outras pessoas).
  2. Imóveis que gerem renda (para Kiyosaki, geralmente sua casa própria é um passivo, pois só tira dinheiro do seu bolso);
  3. Ações;
  4. Exchange Traded Funds (ETF);
  5. Fundos de investimento imobiliário (FIIS);
  6. Qualquer outro tipo de fundo de investimento (cuidado com as taxas dos fundos de gestão ativa);
  7. Royalties de propriedade intelectual;
  8. Títulos públicos ou privados (renda fixa);
  9. Enfim, tudo que você consiga pensar que gere renda e/ou se valorize e tenha um mercado líquido. 

Mas os investimentos ideais para você são os que se alinham com o seu perfil de investidor.

O único tipo de investimento que eu recomento para todos, sem exceção, é:

INSTRUÇÃO!

Invista em conhecimento! Busque aprender princípios básicos de contabilidade, economia, finanças pessoais, estratégias de investimento. Busque aprender sobre leis, regulamentos e possíveis vantagens tributárias dos negócios que lhe interessam. Invista em educação formal e/ou informal, faça cursos, leia livros, blogs, trabalhe em negócios de outros pelo aprendizado, coloque-se em situações desconfortáveis que vão te fazer aprender e crescer!

Em suma, a primeira e única regra segundo Kiyosaki é: Conheça a diferença entre um ativo e um passivo e compre ativos!

Fico por aqui com as palavras do próprio autor:

“Todos receberam dois grandes dons: sua mente e seu tempo. Cabe a você fazer o que quiser com ambos. Você, e só você, tem o poder de determinar o destino de cada nota de dólar que chega às suas mãos. Gaste-a tolamente, você escolheu ser pobre. Gaste-a com passivos, você fará parte da classe média. Invista-a em sua mente e aprenda a adquirir ativos e você estará escolhendo a riqueza como seu objetivo e seu futuro. A escolha é sua[…]. A cada dia, a cada dólar, você decide ser rico, pobre ou classe média.”

Qual é o destino que você tem dado a cada nota de real que chega às suas mãos?


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4 comentários em “Como deixar de trabalhar pelo dinheiro e fazer o dinheiro trabalhar para você”

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